Tomorrow I'll Miss You

Você acha que não pode piorar, e que não tem mais lágrimas o suficiente pra outra crise de choro que vem a cada crise de abstinência. Respira fundo, levanta! É o que todos parecem gritar, é o que seu reflexo no espelho, de olhos inchados e rosto molhado, insiste que você faça. Mas são todas memórias. E é impossível ignorar o vazio e a dor que tomam conta ao lembrar todas as coisas boas. As risadas ao um completar a piada do outro, os beliscões, as mordidas, os beijos, os abraços. Os abraços que diziam tanto. Porque os braços que te envolviam, a protegiam do mundo e do mal, de uma forma inexplicável. Mas quando a hora certa de falar surge, a voz não sai. A garganta seca. E as lágrimas voltam, despencando sem parar num ciclo que parece interminável. Você não quer ver ninguém, porque ninguém entende a dor. E suas companhias passam a ser sua cama e músicas tristes. Quem sabe aquele vídeo que ele adorava, ou a foto de vocês dois juntos, sorrindo? E outra avalanche de emoções. Você poderia afundar-se ali, nas memórias, ou quem sabe criar um mundo paralelo onde vocês estão juntos e nada os impede de continuar. Afundar.

Então faz assim: Escolhe um defeito meu. Aleatório.
Agora o abra e estude-o. Procura a fonte dele.
Tenta mudar. Conserta.
Você não pode.
Porque sou eu. Porque faz parte de quem eu sou.
É frustrante?
Não, não é.
Frustrante é o fato de sequer considerar consertar alguém.
Consertar aos olhos de quem?
Tem uma fórmula? Tem um padrão a ser seguido?
As suas regras são só suas.
Eu não preciso segui-las.
“Mas você não tinha problemas com isso”
E eu costumava achar que me sentir um lixo o tempo todo era normal.

Ela não queria acordar e perceber que todos os seus erros estavam sendo cometidos novamente, um por vez, a mesma história, o mesmo procedimento, o mesmo padrão. Superação costumava ser algo em que ela acreditava. E costumava ser real. Não a sombra de um desejo que sua alma fazia desesperadamente. E ela tinha dito a si mesma que estava pronta. Que entendia a montanha-russa que é a vida. Dizia que nunca, jamais se colocaria pra baixo daquela forma de novo, aprendera que era melhor do que a sensação da navalha ao cortar sua pele ao anular a dor que sentia interiormente. Prometeu, jurou, cumpriu. Mas achou outros meios. Brechas. E lá estava seu antigo “eu”. Pedindo para voltar, “não negue quem você é, não negue o que sentes; nós conhecemos essa dor, sabemos como pará-la.” Poderia se render. Acabar com a dor durante uma noite, e lidar com a sua consciência suja enquanto vivesse. Ou poderia cantar. Ou poderia sonhar. Ou poderia mudar. Ou poderia escrever.
Mas a dúvida a consome, o medo a assombra, a depressão se instala. Respire. De novo. Agora acredite.
Confie.
E não se renda.
Não se deixe levar por essa maré traiçoeira.
“Segure a minha mão, tudo ficará bem.”
Ela seguraria. Se tivesse uma mão ao qual segurar.

Eu consegui.
Depois de tantos posts falando sobre como eu queria passar no vestibular, e como eu achava que seria praticamente impossível… Eu consegui. E em dois meses estarei cursando Letras — Inglês, na Universidade Federal de Santa Catarina. E não é incrível?
Bem, por um lado sim. Mas por outro…
Não é um passeio. Não é uma viajem, ou algo passageiro. São, pelo menos, quatro anos de sacrifícios, abrindo mão de muitas coisas, por algo maior e – eu espero – com bons resultados. Você deve pensar que tudo que um adolescente quer nos dias de hoje é morar fora de casa, em uma cidade longe, sem ninguém pra dizer o que fazer. E sem ninguém pra procurar o remédio certo se você ficar doente, sem ninguém pra cuidar de você ou te abraçar quando você precisar. E como sobreviver a distância? E a saudade? E o frio que toma conta de você instantaneamente só de pensar em ficar longe de algumas pessoas?
Mas essas são só mais barreiras que precisam ser superadas, e afinal, pra tudo dá-se um jeito, e encontra-se uma solução.
Ou assim eu espero.

E a sensação de ver seu nome na lista dos aprovados?
Ah, essa não tem preço.

O ultimo post do ano.
E talvez o primeiro em alguns meses.

Eu realmente tento não ficar toda nostálgica e sensível nessa época de ano, e me envergonho em dizer que sou covarde, e escolho não pensar sobre tudo que passou, e o que pode acontecer.
Deixar de lado que o Ensino Médio acabou, e que nada daquilo volta. Que alguns amigos vão ficar perdidos pelo caminho, algumas histórias não serão mais contadas, e algumas músicas perderão o sentido.
Mas tudo bem.
Isso vai continuar acontecendo em um ciclo vicioso, ano pós ano. Porque é assim que as coisas são. Você tem que estar ciente de que as perdas fazem parte do caminho que está sendo trilhado, e que nem sempre as coisas vão sair do jeito esperado.
Então eu não fiz uma lista de metas para 2012, e nem pensei em objetivos a serem alcançados.
2012 vai ser uma total surpresa pra mim. Estou caminhando no escuro.
Mas eis alguns desejos que eu espero poder realizar:

1. Não esquecer meus sonhos
2. Não esquecer quem eu sou
3. Não me deixar de lado

Porque, você sabe, ás vezes nós mudamos, e só notamos quando já é tarde demais pra voltar atrás e recuperar o tempo perdido. Não quero isso pra mim de novo. Não dessa vez.

E caso 2012 realmente seja o ano do apocalipse, eu só tenho uma coisa a dizer:

QUE VENHAM OS ZUMBIS!

Eu concordei com a cabeça, e guiei-o pelo caminho mais rápido que nos levaria à rua. A noite estava como eu imaginava: com aquela mesma brisa suave que tornava o clima ameno, e a lua brilhante iluminado nosso caminho por entre as flores, até acharmos um banco de pedra onde poderíamos sentar.

– Devo dizer que havia subestimado Versalhes. Não imaginei que poderia encontrar mulheres tão encantadoras. – ele falou olhando-me nos olhos, de um jeito tão intimo que fez com meus pelos do braço se eriçassem.

– Desculpe, não estou familiarizada. – informei com falsa decepção na voz.

Olivier balançou a cabeça positivamente e sorriu, exibindo seus dentes perfeitamente brancos e alinhados. Ele me olhou de um jeito demorado, como se estivesse me estudando. Analisando meus olhos castanho-claros perfeitamente normais, minha pele branca e cabelos negros grossos, e o vestido vermelho que eu havia escolhido justamente para essa ocasião, pois “valorizava o corpo”, como diria Annabelle.

– Brigitte… Eu gostaria de tentar uma coisa. – Olivier desviou o olhar do meu por um instante, como se sentisse constrangido – algo que eu realmente preciso tentar, ou irei me torturar pelo resto de minha existência. Mas por favor, dê-me um tapa, se acha que lhe faltei com respeito.

Mas antes que eu pudesse absorver suas palavras, percebi que seus olhos claros estavam próximos demais dos meus, e eu podia sentir seu hálito fresco em meu rosto. E de repente sua boca estava sobre a minha, em uma explosão de energia que percorreu todo meu corpo, e me deixou quente da cabeça aos pés. Os lábios de Olivier eram macios e quentes, e o beijo que começou com cautela, foi tornando-se voraz e rápido, enquanto exigíamos mais um do outro.

Minhas mãos que estavam sobre meu colo passaram a entrelaçar-se pelos cabelos ruivos de Olivier, e suas mãos firmes e experientes contornaram minha cintura, levando-me para mais perto dele e fazendo com que nossos corpos colassem-se um ao outro. Eu soltei um suspiro de prazer quando Olivier cobriu meus seios com uma das mãos, por cima do vestido, e murmurou alguma coisa ininteligível em meu ouvido, que eu ignorei, atendo-me apenas ao calor de seu corpo.

E de repente eu senti aquele cheiro de ferro. Sangue estava sendo derramado, e parei o beijo, estupefata, enquanto olhava para o braço de Olivier, com um corte de onde não parava de jorrar sangue. Coloquei as mãos sobre o rosto e tentei ignorar a minha pulsação acelerada, e a saliva que acumulava-se em minha boca. “O desejo sexual pode aumentar o desejo pelo sangue do seu parceiro”, Juan havia me dito uma vez, mas eu ignorara prontamente, imaginando que poderia lidar com isso quando acontecesse. Mas agora eu encontrava-me sozinha em um jardim deserto com um homem sangrando, e tudo que conseguia pensar era em cravar meus dentes sobre seu braço.

Olivier olhou para mim, notando o suor que se acumulava em minha testa, e a vertigem que ameaçava tomar conta do meu corpo, e um sorriso formou-se em seus lábios. Não era um sorriso brincalhão ou tranqüilizador. Era um sorriso de vitória. Ele apanhou um lenço branco e limpou o sangue que corria sobre seu braço, e a seguir jogar o lenço em minha direção.

Eu o encarei, incrédula, sem saber o que fazer a seguir. Não conseguia entender o que estava acontecendo, e então pude ver que Olivier havia puxado uma estaca de madeira atrás de suas costas, e me olhou com olhos sérios e raivosos:

– Eu não acredito em meio termo, Brigitte. Ou você é humano, ou você é um monstro. Não pode permanecer na ponte entre os dois caminhos. E essa – ele indicou o lenço sujo de sangue que estava em meu colo – foi a prova necessária que eu precisava para confirmar o que eu já suspeitava.

– Olivier, não é o que você está pensando. – levantei minhas mãos para ele, pedindo para que ele parasse e me desse ouvidos – Eu sou uma caçadora, não uma vam…

– É claro que você é. – ele disse com a voz amarga, levando a estaca em direção ao meu coração.

– Olivier…

Mas era tarde demais. A sensação da estaca perfurando meu peito lembrou-me vagamente as presas do monstro. Engraçado como o início e o fim eram tão parecidos. Dessa vez eu não lutei, não gritei, e não dei atenção à dor. Apenas me deixei ser levada pela escuridão. E mais um monstro fora derrotado.

Eu me sentia horrível. Presa em um espartilho que impossibilitava minha respiração, sob um sol forte que dificultava minha visão, e esperando pela carruagem Real na frente de casa, junto de meus pais e irmãos. Eu torcia para que fosse uma confraternização rápida, e assim eu poderia dormir por algumas horas antes de me arrumar para o baile.

– Adrianne, levante o queixo e ponha esses ombros para trás! – minha mãe sussurrou para minha irmã mais nova, enquanto batia em sua cabeça com o leque amarelo que combinava com o vestido que ela vestia.

Adrianne empertigou-se e revirou os olhos, mas acabou obedecendo a contragosto. E depois de quase meia hora de espera, cinco carruagens pararam na frente de nossos portões, guardas posicionaram-se na entrada de todas elas, e então a Família Real nos presenteou com sua presença.

À medida que iam saindo, fazíamos uma reverência em sinal de respeito, como pedia a tradição. O Rei foi o primeiro a sair, exibindo sua enorme barriga e olhar divertido, enquanto acenava agradavelmente para meu pai, que vivia lhe prestando serviços. A seguir foi a vez da Rainha, que nos cumprimentou com um sorriso falso e seco, acompanhada por suas duas filhas gêmeas, igualmente ruivas com sardas que pintavam todo seu rosto de onze anos de idade.

A Família Real seguiu para o almoço, mas minha mãe impossibilitou minha passagem, mandando que eu esperasse o filho mais velho do rei, Olivier, que estava ocupado fazendo alguma coisa em sua carruagem, mas que desceria em breve, e eu deveria acompanhá-lo e dar o cumprimento digno. Escorei-me em um dos pilares que cercavam o jardim, e fiz uma carranca para o sol, que estava irritantemente quente. E quando pensei em virar as costas e deixar o que Olivier achasse seu próprio caminho, ouvi uma movimentação vindo da terceira carruagem, e um garoto lindo de morrer sair dela.

Eu tentei não dar muita importância ao fato, mas mentalmente me arrependi por não ter ouvido as indicações de Annabelle e ter dormido umas horas a mais. Olivier certamente tinha 1,80m, que o faziam ser dez centímetros maiores que eu. O cabelo ruivo – tão característico da mãe – era uma bagunça, como se ele tivesse acabado de acordar e ignorado um pente; e quando ele se aproximou, obriguei-me a suprimir um suspiro de admiração. Olhos verde água me encaram de um modo divertido, e os lábios perfeitamente desenhados estavam levemente inclinados para cima, em um meio sorriso. Eu fiz uma pequena reverência, que foi recebido de bom grado, enquanto seguíamos para o almoço.

Eu mal conseguira respirar durante as primeiras músicas do baile, mas nenhuma delas eu havia dançado com quem eu realmente queria estar. Olivier havia sido informal durante o almoço, mas enquanto os outros estavam absortos em alguma conversa sobre os ingleses, Olivier jogava aqueles sorrisos furtivos para mim, e conseguimos ter uma pequena conversa sobre alguns livros em comuns que compartilhávamos. Conversa que houvera sido interrompida por Anastásia, uma de suas irmãs gêmeas, que implorava por atenção do irmão.

– Achei que nunca a encontraria sozinha. – uma voz rouca anunciou ao pé do meu ouvido, para poder ser ouvida em meio à música alta que ecoava no salão.

Eu não precisei olhar para saber que Olivier estava parado ao meu lado, com suas impecáveis roupas com caimento perfeito ao seu corpo alto e bem estruturado. Eu sorri para ele e concordei com a cabeça, tentando dar uma resposta que foi impedida por um casal que dançava alegremente, e esbarra em Olivier.

– Podemos ir para o jardim? – ele perguntou gentilmente, indicando a música e as conversas paralelas como um problema para nossa comunicação.