Tomorrow I'll Miss You

A Linda Face do Monstro (última parte)

Posted on: 25 de outubro de 2011

Eu concordei com a cabeça, e guiei-o pelo caminho mais rápido que nos levaria à rua. A noite estava como eu imaginava: com aquela mesma brisa suave que tornava o clima ameno, e a lua brilhante iluminado nosso caminho por entre as flores, até acharmos um banco de pedra onde poderíamos sentar.

– Devo dizer que havia subestimado Versalhes. Não imaginei que poderia encontrar mulheres tão encantadoras. – ele falou olhando-me nos olhos, de um jeito tão intimo que fez com meus pelos do braço se eriçassem.

– Desculpe, não estou familiarizada. – informei com falsa decepção na voz.

Olivier balançou a cabeça positivamente e sorriu, exibindo seus dentes perfeitamente brancos e alinhados. Ele me olhou de um jeito demorado, como se estivesse me estudando. Analisando meus olhos castanho-claros perfeitamente normais, minha pele branca e cabelos negros grossos, e o vestido vermelho que eu havia escolhido justamente para essa ocasião, pois “valorizava o corpo”, como diria Annabelle.

– Brigitte… Eu gostaria de tentar uma coisa. – Olivier desviou o olhar do meu por um instante, como se sentisse constrangido – algo que eu realmente preciso tentar, ou irei me torturar pelo resto de minha existência. Mas por favor, dê-me um tapa, se acha que lhe faltei com respeito.

Mas antes que eu pudesse absorver suas palavras, percebi que seus olhos claros estavam próximos demais dos meus, e eu podia sentir seu hálito fresco em meu rosto. E de repente sua boca estava sobre a minha, em uma explosão de energia que percorreu todo meu corpo, e me deixou quente da cabeça aos pés. Os lábios de Olivier eram macios e quentes, e o beijo que começou com cautela, foi tornando-se voraz e rápido, enquanto exigíamos mais um do outro.

Minhas mãos que estavam sobre meu colo passaram a entrelaçar-se pelos cabelos ruivos de Olivier, e suas mãos firmes e experientes contornaram minha cintura, levando-me para mais perto dele e fazendo com que nossos corpos colassem-se um ao outro. Eu soltei um suspiro de prazer quando Olivier cobriu meus seios com uma das mãos, por cima do vestido, e murmurou alguma coisa ininteligível em meu ouvido, que eu ignorei, atendo-me apenas ao calor de seu corpo.

E de repente eu senti aquele cheiro de ferro. Sangue estava sendo derramado, e parei o beijo, estupefata, enquanto olhava para o braço de Olivier, com um corte de onde não parava de jorrar sangue. Coloquei as mãos sobre o rosto e tentei ignorar a minha pulsação acelerada, e a saliva que acumulava-se em minha boca. “O desejo sexual pode aumentar o desejo pelo sangue do seu parceiro”, Juan havia me dito uma vez, mas eu ignorara prontamente, imaginando que poderia lidar com isso quando acontecesse. Mas agora eu encontrava-me sozinha em um jardim deserto com um homem sangrando, e tudo que conseguia pensar era em cravar meus dentes sobre seu braço.

Olivier olhou para mim, notando o suor que se acumulava em minha testa, e a vertigem que ameaçava tomar conta do meu corpo, e um sorriso formou-se em seus lábios. Não era um sorriso brincalhão ou tranqüilizador. Era um sorriso de vitória. Ele apanhou um lenço branco e limpou o sangue que corria sobre seu braço, e a seguir jogar o lenço em minha direção.

Eu o encarei, incrédula, sem saber o que fazer a seguir. Não conseguia entender o que estava acontecendo, e então pude ver que Olivier havia puxado uma estaca de madeira atrás de suas costas, e me olhou com olhos sérios e raivosos:

– Eu não acredito em meio termo, Brigitte. Ou você é humano, ou você é um monstro. Não pode permanecer na ponte entre os dois caminhos. E essa – ele indicou o lenço sujo de sangue que estava em meu colo – foi a prova necessária que eu precisava para confirmar o que eu já suspeitava.

– Olivier, não é o que você está pensando. – levantei minhas mãos para ele, pedindo para que ele parasse e me desse ouvidos – Eu sou uma caçadora, não uma vam…

– É claro que você é. – ele disse com a voz amarga, levando a estaca em direção ao meu coração.

– Olivier…

Mas era tarde demais. A sensação da estaca perfurando meu peito lembrou-me vagamente as presas do monstro. Engraçado como o início e o fim eram tão parecidos. Dessa vez eu não lutei, não gritei, e não dei atenção à dor. Apenas me deixei ser levada pela escuridão. E mais um monstro fora derrotado.

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