Tomorrow I'll Miss You

A Linda Face do Monstro (parte três)

Posted on: 18 de outubro de 2011

A noite havia sido agitada. Depois do encontro com o primeiro vampiro, mais quatro se seguiram, e só decidimos parar às cinco horas da manhã, quando já estava perto o suficiente do pôr-do-sol para que algum vampiro se aventurasse a procura de pescoços para enfiar suas presas.

Então, cinco e meia da manhã eu estava escalando minha casa, e agradecendo por ter escolhido o quarto dos fundos, diminuindo assim os riscos de ser pega em uma situação constrangedora como essa.

E mesmo estando confortavelmente instalada em minha cama, com o relógio apontando sete horas da manhã, eu ainda não havia conseguindo dormir. Porque toda vez que eu fechava os olhos, presas e rios de sangue tomavam conta do meu pensamento, e a única coisa que eu conseguia pensar era: eu poderia ser como eles. Eu sabia que para virar vampiro, não bastava apenas a mordida de um da mesma espécie. E se fosse assim, tenho certeza que meu trabalho seria multiplicado, já que só Deus sabe quantos pescoços desprotegidos e ingênuos são mordidos por noite, na França e no mundo. Para tornar-se vampiro, era necessária a mordida – mas nunca a drenagem total do corpo – e então a vítima teria de tomar o sangue de seu criador, completando a transformação com a drenagem de um humano.

E há dois anos, quando eu completara quinze anos e tinha tomado a precária decisão de que já era grande o suficiente para andar sozinha pela vizinhança no meio da noite, ocorreu algo que me mudou completamente. Uma viela escura, um homem se aproximou, e eu, na ingenuidade de uma de uma menina, caminhei em direção dele para oferecer ajuda, já que ele parecia mancar, e andava devagar. Mas quando estava próxima o bastante para estudar seu rosto, um sorriso débil se formou em seus lábios, e duas grandes presas assassinas apossaram-se da boca dele, para a seguir serem cravadas violentamente no meu pescoço exposto.

Eu gritei. A dor de suas presas perfurando minha garganta era insuportável, e eu me contorcia sobre suas mãos calejadas e sujas. Mas o homem era forte demais, e cada movimento brusco liberava ainda mais sangue, que o monstro sugava com força e impiedade, me fazendo chorar de dor, gritar de pânico, e estremecer de raiva. Quando pensei que iria morrer, que ele iria sugar todo o sangue que circulava em meu corpo, o monstro parou. Ele tirou suas presas do meu pescoço, mas continuou me segurando, com um braço em volta dos meus ombros, enquanto – para meu completo horror – cortava seu próprio braço com as presas afiadas e sujas do meu sangue, e então, quando eu achei que não poderia ficar mais estranho, ele enfiou o braço pingando sangue na minha boca e esfregou-o com força, me obrigando a beber o líquido escarlate. As lágrimas começaram a cair com mais intensidade, e quando tentei pedir por socorro, o sangue dele desceu pela minha garganta. Só lembro-me de ter perdido a consciência, e acordado na manhã do dia seguinte, na casa de Juan.
E foi quando eu descobri a verdade. Descobri sobre as mudanças que ocorreriam comigo. Juan me falou sobre a sede de sangue que se apoderaria de mim nas próximas vinte e quatro horas, mas que ele estaria por perto para certificar-se de que eu não faria nada arriscado, e não completaria a transformação. E foi com a ajuda de Juan que eu deixei de me tornar uma vampira, para ser uma mestiça.

Anúncios

1 Response to "A Linda Face do Monstro (parte três)"

AMmmeiiiiii muito bom!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Atualizações Twitter

%d blogueiros gostam disto: