Tomorrow I'll Miss You

A Linda Face do Monstro (parte um)

Posted on: 15 de outubro de 2011

– Tenha bons sonhos, Senhorita Villeneuve. – desejou a velha e gorducha serva enquanto arrumava as cobertas em torno de meu corpo, e apagava a vela que iluminava minha mesa de cabeceira.

Eu concordei com um grunhido ininteligível e me embolei no meio da cama, em um sinal para que ela me deixasse em paz, pois a filha de um homem tão importante como o Duque Villeneuve precisava de uma ótima noite de sono para que estivesse resplandecente e encantadora no importante baile que seria oferecido para o Rei, nos domínios de nossa casa, na noite que viria.

Então assim que ouvi o clique da porta do quarto sendo fechada, e os passos distantes da velha senhora que rumava aos seus aposentos para uma noite de descanso, levantei os cobertores com cuidado, e o lugar onde meu corpo deveria estar, foi preenchido com as almofadas que se encontravam jogadas no chão.

Acender uma vela seria um alarme, e a qualquer momento um empregado poderia vir inspecionar o motivo de eu estar acordada á essa hora, e então todo meu plano iria por água a baixo. No completo breu, tateei em busca do meu armário, que ficava no outro lado do quarto. Posicionei meus pés em uma linha reta, e comecei a contar os dezesseis passos necessários para alcançar o outro lado do cômodo sem esbarrar em nenhum objeto.

Eu já havia decorado o caminho, e eram apenas questões de minutos para que meus olhos se acostumassem á escuridão. Catorze, quinze, dezesseis… E aí estava. Estiquei minhas mãos para frente, e pude sentir os puxadores fundidos a ferro que fechavam as portas do armário. Um fecho de luz conseguia entrar pela cortina, o que me dava uma vaga ideia dos objetos que eu estava pegando, e jogando apressadamente dentro de uma bolsa de couro marrom comum, que qualquer garota na França poderia carregar.

Olhei para os objetos que já estavam dentro dela, e fiz uma contagem para poder me certificar de que havia pegado o necessário. Estava prestes a saltar a janela quando olho para baixo e vejo que, novamente, eu havia esquecido de tirar a comprida camisola branca que contornava todo meu corpo, impossibilitando qualquer movimento brusco. Como pular uma janela, por exemplo. Revirei os olhos, impaciente, e tirando a camisola pela cabeça, enquanto apanhava um velho vestido que eu surrupiara de uma das serviçais.

A janela foi aberta cuidadosamente para evitar que rangessem e denunciassem minha fuga. Joguei a bolsa sobre meu ombro e atravessei a janela, permanecendo no parapeito da mesma, tempo o suficiente para fechá-la. Então fechei os olhos, e saltei do terceiro andar da imponente casa dos Villeneuve.

– Graça aos Deuses! Achei que a filhinha do Conde havia pensado que realmente merecia uma noite de sono. Digo, não é que você não mereça, mas… Tem trabalho a ser feito.

– Eu já disse que não existe isso de “Deuses”, Annabelle. – denunciei com uma pitada de sarcasmo na voz, enquanto revirava os olhos – E além do mais, eu sei quais são minhas obrigações, e nunca falhei com nenhuma delas. Por que faria isso hoje?

– Não sei, imaginei que talvez essa coisa de ter o Rei jantando na sua casa fosse te deixar apreensiva em mostrar uma boa aparência. E os Deuses sabem que olheiras não contribuem para isso.

– Os Deuses não… – balancei a cabeça e desisti de tentar argumentar questões religiosas com Annabelle, que estava tão convicta em estudar os Gregos, que constantemente esquecia-se de ser francesa. – Por que eu me incomodaria em estar bonita para o Rei? Não é como se eu esperasse flertar com ele. – fiz uma careta de nojo enquanto imaginava uma cena em que eu me jogava nos braços do Rei, e pedia para ser sua amante.

– Eu não estou falando do Rei. Estou falando do filho dele. – e quando ela viu o ponto de interrogação em meus olhos, parou no meio da estrada que estávamos seguindo para chegar ao centro de Versalhes, e um som de indignação saiu de sua garganta – Você não está nem um pouco preocupada em parecer exuberante para o Príncipe Olivier?

Dei de ombros e continuei caminhando apressadamente, sem prestar muita atenção ao que Annabelle tagarelava ao meu lado.

– Eu entendo que você não precise se preocupar, já que tem esse cabelo negro e espesso, e o seu corpo tem essas curvas que fazem com que os seus vestidos tenham um caimento incrível, mas… Você ao menos viu como ele é? O Olivier, eu digo. Ele deve ter 1,80m, já que…

– Sshhh… – eu sussurrei, pondo meu dedo indicador sobre os lábios de Annabelle para que ela parasse de falar.

Então eu apurei meus sentidos, e ignorei a lua cheia que estava brilhando no topo do céu, ignorei a leve brisa que batia contra meu rosto, e fiquei totalmente imóvel. Inspirei fundo o ar da noite, e então pude sentir o cheiro de ferro que sempre atingia minhas narinas de uma forma inebriante. Cheiro de sangue humano. Sangue que estava sendo tirado á força de algum cidadão que tinha dado o azar de andar sozinho pelas ruas desertas dessa parte da cidade.

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1 Response to "A Linda Face do Monstro (parte um)"

Muitoo bom!!
amei mesmo
Quero maisssssss!!!!

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