Tomorrow I'll Miss You

Caído

Posted on: 14 de outubro de 2010

Texto feito por mim, que, futuramente, poderá vir a tornar-se um epílogo.

 

Lembro-me dele. Os últimos dez anos da minha vida, não passam de um borrão, exceto pela imagem dele, que está nítida em minha mente.

Era fim de janeiro, e eu encontrava-me caída em um beco escuro, soando frio, e agonizante. Vi a morte em minha frente, ela parecia me chamar, e prometia-me conforto. Eu quis juntar-me a ela. Relaxar em seus braços, e dormir eternamente. Eu ia ceder. Estava cedendo, quando algo me fez voltar à superfície, segundos antes de eu afundar no vazio que me sugava. Mas uma voz me alertou. Uma imagem. Um brilho. Uma esperança, e uma pequena fagulha de consciência em meu cérebro.

– Lizzie!, ele gritava.

Eu podia ouvir o desespero em sua voz, e aquilo cortava meu coração. Queria ampará-lo, segurá-lo, e dizer que tudo ficaria bem; não havia motivo para tristeza.

– Acorde Lizzie, acorde! Fique comigo; resista!

Aquela voz… A escuridão foi esvaindo-se aos poucos, deixando apenas uma nevoa ao meu redor. Lutei para abrir os olhos, e mesmo tendo a imagem fora de foco, eu conseguia vê-lo. E foi como se o botão de “ligar”, houvesse sido aceso em mim. Arfei em buscar de ar, e me debati, tentando livrar-me da sensação de estar presa ao chão.

Os olhos dele estavam úmidos, e o sorriso conseguiu dissipar o resto da escuridão que povoava minha mente. Ele levou meu corpo de encontro ao dele, e murmurou palavras inteligíveis, enquanto pressionava sua boca sobre minha testa.

– Se… Seb-bastien; eu consegui gaguejar.

– Lizzie, minha pequena Lizzie. Nunca mais afaste-se de mim, eu seria capaz de morrer, se deixar-me outra vez. – Ele falava enquanto me abraçava, e molhava meus cabelos louros com suas lágrimas – Eu irei lhe proteger eternamente.

Então minha memória voltou, e os últimos meses passaram por minha cabeça, como um filme antigo.

– Mas… v-você caiu. Não é mais meu Anjo da Guarda. – Tossi para limpar a garganta, e afastar a gosto de ferrugem que se espalhava nela.

– Eu cai por você, meu anjo.

As palavras dele me causaram choque. Tentei respirar fundo para pensar melhor, mas me arrependi no mesmo instante; era como se uma faca atravessasse meu pulmão.

– O que aconteceu? O que houve comigo?

– Eles vieram atrás de você. Eu vou matá-los; caçá-los um á um. E dessa vez nada me impedirá. Podem cortar minhas asas, mas minha alma ainda está aqui.

Abri a boca para questioná-lo, pedir por detalhes, implorar-lhe para não me abandonar, qualquer coisa! Mas ele silenciou meus pensamentos, pressionando seus lábios quentes, contra os meus.

– Eu te amo; ele sussurrou.

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